- Leia o texto a seguir para responder a questão.
- A banalidade do mal e as possibilidades da educação
moral.
- A personalidade de Adolf Eichmann foi um dos
pontos mais controversos enfrentados por Hannah Arendt,
que o considerava um novo tipo de criminoso, um hosti
humani generis (inimigo do gênero humano), participante
de um novo tipo de crime: assassinatos em massa num
sistema totalitário. Esse novo tipo de criminoso só pode
ser entendido a partir de uma nova profissão: o burocrata.
Para um burocrata, a função que lhe é própria não é a de
responsabilidade, mas sim a de execução (Correia, 2004,
p. 93). Daí a reiterada afirmação burocrática: eu só
cumpro ordens.
Esse foi o principal argumento de Eichmann: “Não
sou o monstro que fazem de mim. Sou uma vítima da
falácia” (Arendt, 1999, p. 269). O advogado de defesa
trabalhou com a hipótese de que “sua culpa [de Eichmann]
provinha de sua obediência, e a obediência é louvada
como virtude. Sua virtude tinha sido abusada pelos líderes
nazistas. No entanto, ele não era membro do grupo
dominante, ele era uma vítima, e só os líderes mereciam
punição” (idem, ibidem). Obviamente, os juízes, a
promotoria, a imprensa nem Arendt estavam convencidos
do argumento, mesmo que ele possa parecer plausível
num primeiro momento.
- Eichmann apresentou-se como um homem
virtuoso – “minha honra é minha lealdade” (idem, p. 121) –
e seu único erro teria sido o de obedecer ordens e seguir
leis, pois ele sempre tomou o cuidado de agir conforme
determinações superiores, comprovadas pelas normas
legais.
- Recorte adaptado do artigo: A banalidade do mal e as possibilidades da
educação moral, Marcelo Andrade/PUC-RJ. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a08v15n43.pdf