Uma mulher de 32 anos de idade, sem histórico
psiquiátrico prévio e sem histórico de uso de substâncias,
funcionária pública, vem passando por uma série de mudanças
em seu setor de trabalho nos últimos 3 meses, o que tem
promovido um aumento significativo de conflitos interpessoais
entre os colegas. Há duas semanas, após uma conversa com seu
chefe, ela recebeu a notícia de que seria redirecionada para outra
área, pois estavam realinhando os processos de trabalho. Essa
notícia foi recebida com muita angústia e desespero, pois ela não
esperava e não desejava essa mudança. Ficou se sentindo
preterida e desvalorizada com a decisão de seu chefe. Desde o
ocorrido, passou a apresentar um humor deprimido, choro fácil e
sentimentos de desesperança em relação ao seu trabalho e seu
futuro. Mesmo insatisfeita, seguiu comparecendo ao trabalho,
sem alterações no sono, na alimentação ou na concentração.
Porém, dado o sentimento de revolta, começou a chegar atrasada,
sair mais cedo e protelar entregas de demandas a ela destinadas.
Começou ainda a ter problemas em casa, com muitas brigas com
seu marido e filhos, por sua irritabilidade acentuada. Nesse
contexto, passou a dirigir em alta velocidade e a colocar o carro
na contramão, embora negue ter vontade de morrer ou de se
matar. Diante dessa situação, foi levada a atendimento
especializado contra sua vontade.