Podem-se identificar algumas formas de se abordar a condição de doença e tratamentos. Indique a que menos se
aproxima daquela em que a epidemiologia se enquadra, em aspecto mais abrangente e correto.
A A epidemiologia busca responder a questões que a própria clínica suscita para um espaço de ocorrência da
doença que ela, clínica, não toma como seu objeto de intervenção imediata: o espaço da sociedade, a doença
coletivamente considerada. Essa repartição de tarefas, no plano social mais global, foi produto de uma primeira
divisão de trabalho, no interior da assistência, uma vez que, na época do surgimento da medicina moderna,
atribuições tão dissociadas, entre ações de saúde pública e assistência médica individual, não ocorriam.
B A saúde ou a doença se pensadas na perspectiva que conecta o fenômeno individual, que a biologia conhece,
com o fenômeno coletivo, de que trata a epidemiologia, pode-se dizer que cada indivíduo, mesmo enquanto uma
situação singular, é representante do coletivo, tendo necessidades características à sua condição de vida social,
muito embora elas sejam, ao mesmo tempo, necessidades traduzidas em termos da realização pessoal e humana
desses indivíduos: uma situação sempre particular.
C A saúde/doença de uma população está intimamente relacionada ao modo de produção da sociedade, porque a
ele se vincula o "modo de andar a vida". Nessa perspectiva, o modo de produção da sociedade é a organização
dos trabalhos que produzem os bens e os serviços necessários à qualidade de vida em questão. Essa
organização não apenas define os trabalhos e as suas articulações técnicas, mas também produz e reproduz
relações sociais e interpessoais, sobre as quais uma matriz de situações materiais e humanas expressam
diferentes condições de vida e trabalho, de saúde, adoecimento e morte.
D A condição de doença amparada no conceito clínico e anatomopatológico reconhece a doença enquanto
alteração morfofuncional do corpo. Biologicamente tratado, esse corpo perde outras características que possui,
tais como suas especificações sociais ou culturais, enquanto corpo de pessoa que dele se utiliza, segundo
demandas da vida social. Essa conceituação de doença localiza a condição vital de que trata, isto é, as
alterações anatômicas e fisiológicas do "corpo patológico", no âmbito restritivo de corpos individuais.
E A condição de doença amparada na epidemiologia reconhece a doença enquanto evento coletivo, característico
da vida em sociedade e de seus diferentes grupamentos num dado momento histórico. Em uma espécie de
complementação ao olhar clínico, a epidemiologia, reiterando a abordagem biológica, ultrapassa-a na direção da
doença enquanto fenômeno coletivo e, então, apropria-se das questões referentes às causas que a determinam,
mesmo que a doença se manifeste individualmente.