A doença renal crônica (DRC) é uma condição que origina inúmeras dúvidas junto do doente,
relativamente à sua alimentação e ao modo como poderá aderir e corresponder da melhor
forma às indicações nutricionais e alimentares do seu plano de tratamento. O tratamento
nutricional implica, quase sempre, alteração de hábitos alimentares que, muitas das vezes,
são difíceis de aceitar pelos doentes. Sobre a terapia nutricional na DRC é INCORRETO
afirmar:
A A restrição proteica deve começar precocemente e logo que a DRC seja diagnosticada. De um
modo geral, as recomendações proteicas atuais sugerem 0,6 a 0,8 g de proteína/kg peso/dia para
indivíduos com DRC em estádios entre 1 e 4. No caso específico da síndrome nefrótico,
caracterizado por proteinúria nefrótica, edemas, hipoalbuminemia e dislipidemia, as recomendações
europeias proteicas referem 1,2 a 2,0 g/kg peso/dia, sem reposição das perdas proteicas urinárias.
B As recomendações energéticas podem variar de 30 a 35 kcal/kg/dia, dependendo do sexo, idade
e atividade física. Na presença de desnutrição ou peso excessivo deverão ser superiores ou
inferiores de acordo com as necessidades individuais.
C O controle e a redução do aporte do sódio em doentes com DRC é muito importante, uma vez
que a hipertensão arterial é uma das principais causas de doença renal. Pacientes com DRC
hipertensos, com edemas e/ou proteinúria recomenda-se um aporte de sódio inferior a 2 g/dia.
D A alteração do metabolismo do fósforo ocorre desde o início da DRC e por isso o
acompanhamento clínico e nutricional destes doentes requer também a monitorização regular deste
parâmetro. O controle do fosfato, do cálcio, da vitamina D, assim como do hormônio paratiroide
(PTH) é necessário e fundamental para prevenir a doença óssea renal e a morbilidade
cardiovascular.