Leia o texto a seguir.
Certa vez, numa escola da rede municipal de São Paulo que
realizava uma reunião de quatro dias com professores e
professoras de dez escolas da área para planejar em comum
suas atividades pedagógicas, visitei uma sala em que se
expunham fotografias das redondezas da escola. Fotografias
de ruas enlameadas, de ruas bem postas também. Fotografias
de recantos feios que sugeriam tristeza e dificuldades.
Fotografias de corpos andando com dificuldade, lentamente,
alquebrados, de caras desfeitas, de olhar vago. Um pouco
atrás de mim dois professores faziam comentários em torno do
que lhes tocava mais de perto. De repente, um deles afirmou:
“Há dez anos ensino nesta escola. Jamais conheci nada de sua
redondeza além das ruas que lhe dão acesso. Agora, ao ver
esta exposição de fotografias que nos revelam um pouco de
seu contexto, me convenço de quão precária deve ter sido a
minha tarefa formadora durante todos estes anos. Como
ensinar, como formar sem estar aberto ao contorno geográfico,
social, dos educandos?”
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p.
154.
O trecho foi retirado do livro Pedagogia da autonomia, de
autoria de Paulo Freire. O referido trecho assinala um
aspecto marcante da concepção freiriana de educação ao
passo que destaca uma situação cotidiana no exercício da
docência. Com base nessa concepção de educação e no
que traz o trecho em destaque, a atuação dos educadores
exige um