Leia os excertos a seguir.
Mais uma conquista de Eva... o futebol. Há cerca de uns três
meses um grupo de moças dos mais conceituados clubes
esportivos dos subúrbios da nossa Capital (Rio de Janeiro)
iniciou a prática do futebol feminino entre nós. Organizaram
quadros e, de acordo com as regras oficiais do “Foot-ball
Association”, tem as nossas patrícias disputado várias partidas
entre vários clubes. [...] E as partidas repetiram-se animadas
e concorridas, violentas e movimentadas, com todas as
características do jogo masculino, sem mesmo lhes faltar esse
complemento que parece imprescindível no famoso esporte
bretão – as agressões e os socos […]. A propósito desse
sensacional acontecimento esportivo, inúmeras têm sido as consultas a nós endereçadas sobre esse tema: Pode a mulher
praticar o futebol?.
LOYOLA, H. Pode a mulher praticar o futebol. Revista Educação Physica, Rio de
Janeiro, v.46, p. 41-5, 1940.
Mesmo não sendo homogêneos os discursos direcionados
para a interdição das mulheres em algumas modalidades
esportivas, vale lembrar que os documentos oficiais que
operam nesse sentido expressam as representações
normatizadas de feminilidade […]. Não raras vezes as jogadoras
de futebol são questionadas acerca de sua sexualidade,
parecendo ser “natural” essa inspeção […].
Transgressoras ou não, as mulheres há muito estão presentes
no futebol. Vão aos estádios, assistem campeonatos,
acompanham o noticiário, treinam, fazem comentários,
divulgam notícias, arbitram jogos, são técnicas, compõem
equipes dirigentes […], enfim, participam do universo
futebolístico e isso não há como negar. Certamente algumas
destas mulheres transgridem ao que convencionalmente
se designou como sendo próprio de seu corpo e de seu
comportamento, questionam a hegemonia esportiva
masculina historicamente construída e culturalmente
assimilada e enfrentam os preconceitos e também as
estratégias de poder que estão subjacentes a eles. [...] No
entanto, ainda é precária a estruturação da modalidade no
país, pois são escassos os campeonatos, as contratações das
atletas são efêmeras e, praticamente, inexistem políticas
privadas e públicas direcionadas para o incentivo às mulheres
que desejam fazer sua carreira dentro desse esporte o que
me leva a afirmar, que, na “Pátria das Chuteiras”, as mulheres
não têm vez. Estão nas zonas de sombra ainda que há muito
protagonizem histórias que construíram e estruturaram o
futebol desse país.
GOELLNER, Silvana Vilodre. Na “Pátria das chuteiras” as mulheres não tem vez. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO GÊNERO 7. Florianópolis, UFSC,
2006, p. 1-4.
Os excertos referenciam uma das manifestações da cultura
corporal que possui ampla visibilidade no imaginário do
povo brasileiro: o futebol. No entanto, principalmente
na mídia esportiva, a modalidade não é igualmente
valorizada – ainda hoje – se considerarmos a sua prática
por mulheres. Ao destacar o futebol como uma conquista
das mulheres, Loyola (1940) enfatiza o questionamento
que fez parte da história da categoria feminina do esporte:
“Pode a mulher praticar futebol?”. Alguns estudiosos do
campo da Educação Física, a exemplo de Silvana Vilodre
Goellner (2006), demonstram o caminho percorrido
historicamente pelas mulheres para a sua inserção
nessa modalidade esportiva, repleta de argumentos
que justificaram e ainda justificam a falta de incentivo e
visibilidade das atletas no esporte. Sendo assim, quanto
aos argumentos recrutados durante décadas para explicar
a pouca visibilidade conferida às mulheres no futebol
brasileiro, assinale a afirmativa correta.