Literatura brasileira marca presença na maior vitrine internacional do livro de Paris
O Festival do Livro de Paris está de volta ao icônico espaço parisiense do Grand Palais em
2025, com a presença de 450 editoras internacionais e cerca de 1.200 autores, consolidandose como o grande encontro literário do ano na capital francesa até domingo (13). O Brasil marca
presença no evento, a principal vitrine do setor na França, com diversos autores, lançamentos,
artistas, tradutores e uma programação diversificada, apoiada pelo Ministério da Cultura e a
Embaixada do Brasil em Paris.
Destaque na temporada cruzada Brasil-França deste ano, a abertura do estande brasileiro
nesta sexta-feira (11) contou com a presença do embaixador brasileiro em Paris, Ricardo Neiva
Tavares, e do diretor para o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura,
Jéferson Assumção, entre artistas, tradutores e escritores.
Em sua participação no Festival do Livro de Paris, Assumção abordou temas cruciais para
o desenvolvimento do setor no país. Em entrevista à RFI, ele destacou a importância da Lei nº
13.696, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Segundo o representante do Ministério
da Cultura, o texto traz um elemento inovador ao enfatizar o desenvolvimento da escrita como
porta de entrada para o universo da leitura e como forma de estimular o interesse pela literatura.
"A construção do novo Plano Nacional do Livro e Leitura, voltado para o período de 2025 a
2035, está em andamento e envolve uma articulação entre políticas de cultura, educação e outras
áreas do governo, além da participação ativa da sociedade. Afinal, esse plano é também um pacto
coletivo pela leitura, com o objetivo de ampliar o número de leitores no país e fortalecer a
economia do livro de forma descentralizada", destacou.
Segundo ele, "o plano valoriza a bibliodiversidade, o desenvolvimento regional, o
fortalecimento de bibliotecas, editoras e circuitos literários". "Essa ideia vai além da economia —
porque se trata também de uma política de cidadania e de valorização simbólica, estética e
criativa. A literatura, nesse contexto, ocupa um papel central, pois estabelece conexões com
outras linguagens artísticas, como o cinema, o teatro, a música e as artes visuais", ressaltou
Jéferson Assumção.
"A França sempre foi uma parceira importante do Brasil, e essa relação histórica facilita o
diálogo sobre políticas de leitura", destaca Assumção. "Recentemente, estivemos no estande do
Brasil conversando com representantes do sistema de bibliotecas públicas de Paris, buscando
trocar experiências e aprender mutuamente. No Brasil, o fortalecimento das bibliotecas públicas é
um grande desafio, tanto em termos quantitativos — com a necessidade de abrir e reabrir
unidades — quanto qualitativos", diz.
A atriz Maria Fernanda Cândido, uma das atrações do estande brasileiro durante o Festival
do Livro de Paris de 2025, falou sobre sua participação no evento. "Eu vou ler três textos do livro
A Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector", esclareceu. "Especificamente, 'As Águas do
Mundo', 'Uma História de Tanto Amor' e 'Felicidade Clandestina', que dá título ao livro", contou.
Em 2024, fui convidada para transformar esse livro em um audiobook. Nós fizemos a gravação e,
no início de 2025, ele foi lançado. Então, a partir de agora, tenho a honra de fazer parte da
biblioteca de vozes aqui da França", comemorou a atriz brasileira.
Fonte: Literatura brasileira marca presença na maior vitrine internacional do livro de Paris