Texto I para responder à questão. Caça aos racistas
Alunos da Universidade Princeton querem tirar o nome de Woodrow Wilson de uma das mais importantes
faculdades da instituição, a Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. O motivo, é claro, é o racismo.
Thomas Woodrow Wilson (1856‐1924) ocupou a Presidência dos EUA por dois mandatos (1913‐1921). Era
membro do Partido Democrata, levou o Nobel da Paz em 1919 e foi reitor da própria universidade. Mas Wilson era
inapelavelmente racista. Achava que negros não deveriam ser considerados cidadãos plenos e tinha simpatias pela Ku
Klux Klan. Merece ter seu nome cassado?
A resposta é, obviamente, “tanto faz". Um nome é só um nome e, para quem já morreu, homenagens não
costumam mesmo fazer muita diferença. De resto, discussões sobre racismo são bem‐vindas. Receio, porém, que a
demanda dos alunos caminhe perigosamente perto do anacronismo. Sim, Wilson era racista, mas não podemos
esquecer que a época também o era. O 28º presidente dos EUA não está sozinho.
“Não sou nem nunca fui favorável a promover a igualdade social e política das raças branca e negra... há uma
diferença física entre as raças que, acredito, sempre as impedirá de viver juntas como iguais em termos sociais e
políticos. E eu, como qualquer outro homem, sou a favor de que os brancos mantenham a posição de superioridade."
Essa frase, que soa particularmente odiosa a nossos ouvidos modernos, é de Abraham Lincoln, que, não obstante,
continua sendo considerado um campeão dos direitos civis.
O problema são os americanos; eles são atavicamente racistas, dirá o observador antiimperialista. Talvez não.
“O negro é indolente e sonhador, e gasta seu dinheiro com frivolidades e bebida". Essa pérola é de Che Guevara. Alguns
dizem que, depois, mudou de opinião. Quem não for prisioneiro de seu próprio tempo que atire a primeira pedra.
(SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S. Paulo, 13 de dezembro de 2015.)