Leia o texto a seguir para responder à questão:
A leitura nos convida a conhecer a experiência de
homens e mulheres, de nossa época ou de épocas passadas, de diferentes lugares, transcrita em palavras que
podem nos ensinar muito sobre nós mesmos. E os textos
que alguém nos passa, e que também passamos a outros,
representam uma abertura para círculos de pertencimento
mais amplos, que se estendem para além do parentesco e
da localidade.
Vou citar Albert Camus, um escritor que conhecia bem a
pobreza e que escreveu: “A pobreza e a ignorância tornavam
a vida mais difícil, mais insípida, fechada em si mesma; a
miséria é uma fortaleza sem ponte levadiça”. A imagem de
uma fortaleza sem ponte levadiça nos lembra o quanto a
reclusão e o isolamento são, em geral, o destino que cabe aos
pobres. Pois o que também distingue as categorias sociais,
não esqueçamos isso, é o horizonte, o espaço de referência daqueles que as compõem. Alguns podem ver mais longe que outros, pensar suas vidas em uma outra escala. E o
horizonte de muitos habitantes da zona rural, de condição
modesta, como também o horizonte popular urbano, foi, por
muito tempo, e ainda o é com frequência, a família, os vizinhos, “nós”. Enquanto o resto do mundo é visto como “eles”,
com traços bem mal definidos.
Mas, às vezes, existem pontes levadiças. Camus, assim
como outros escritores nascidos em famílias pobres, expressou sua gratidão por um professor e por uma biblioteca municipal que o haviam ajudado a descobrir que existia algo além
do espaço familiar. Para ele as pontes levadiças foram esse
professor e essa biblioteca. Cito-o novamente: “No fundo, o
conteúdo dos livros pouco importava. O importante era o que
sentiam ao entrar na biblioteca, onde não viam a parede de
livros negros mas sim um espaço e horizontes múltiplos que,
desde a entrada, lhes tiravam da vida estreita do bairro”.
(Michèle Petit, Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. Adaptado)