Para responder à questão, leia um trecho do
Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado há exatos 100 anos, em 1924.
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de
ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos
estéticos.
O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça.
Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo.
Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O
minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. [...]
A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos
cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas1
da saudade universitária. [...]
A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. [...]
A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade.
A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de
ideias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A
escultura eloquente, um pavor sem sentido.
(Gilberto Mendonça Teles (org.).
Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, 1992.)
1 liana: cipó.