Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941201304119

Em “Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade”, a autora refere-se

1

457941201304119
Ano: 2019Banca: CETREDEOrganização: Prefeitura de Pacujá - CEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Compreensão e Interpretação Textual | Análise Textual
Texto associado

 Medo da Eternidade


      Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

      Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

      — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa.

      — Não acaba nunca, e pronto.

      — Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

      — Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

      — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

      — Perder a eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      — Acabou-se o docinho. E agora?

      — Agora mastigue para sempre.

      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.

Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

      — Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

      — Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

      Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

                                                                                                       Clarice Lispector 

Em “Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade”, a autora refere-se
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200176781Língua Portuguesa

Marque a alternativa que tem o significado de “rútila capela”.

#Análise Textual#Semântica Contextual
Questão 457941200374697Língua Portuguesa

[...] tropel, no texto, é a mesma coisa que

#Semântica Contextual#Análise Textual
Questão 457941200785709Língua Portuguesa

No texto, “serão” significa

#Semântica Contextual#Análise Textual
Questão 457941201003093Língua Portuguesa

Pela 1ª. estrofe, percebe-se que a autora

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201092700Língua Portuguesa

O pombo foi castigado no(a) seu (sua)

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201302102Língua Portuguesa

“Quando as árvores vão perdendo assim todas as folhas, aos poucos ficando desnudas, [...] estão a nos enviar silencioso recado.” (Nono parágrafo) O au...

#Recursos Estilísticos#Análise Textual
Questão 457941201444770Língua Portuguesa

Qual a opção em que a concordância verbal está CORRETA?

#Sintaxe#Concordância Verbal e Nominal
Questão 457941201610392Língua Portuguesa

“Outros, coitados, têm a língua atada” significa que uns camelôs

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201696648Língua Portuguesa

Pode-se afirmar que Roda viva mostra

#Análise Textual
Questão 457941201865347Língua Portuguesa

Assinale a alternativa em que o pronome oblíquo “lhe” NÃO é um objeto indireto.

#Pronomes Pessoais do Caso Oblíquo#Termos Integrantes da Oração#Sintaxe#Morfologia dos Pronomes

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Compreensão e Interpretação TextualQuestões do CETREDE