A história dos negros no Brasil é marcada por episódios
de conflito e manifestações de resistência. Na cidade de
Salvador, o bloco
Ilê desfilou pela primeira vez no Carnaval de 1975, causando espanto entre as elites da Bahia e um despertar
para a pauta racial em uma das cidades mais negras do
país. “Fomos escoltados pela polícia e fomos vaiados
pela população, com alguns aplausos tímidos em meio
às vaias. Fomos considerados negros rebeldes que estavam espalhando racismo na cidade”, lembra Arany
[Santana, 72, diretora licenciada do bloco]. [...] O jornal
A Tarde, um dos mais tradicionais da cidade, publicou
na época a nota “Bloco racista, nota destoante”, afirmando que o Ilê Aiyê havia proporcionado “um feio espetáculo” com uma “imprópria exploração” do tema do
racismo no Carnaval. Anos depois, o jornal se retratou.
PITOMBO, J. P. Ilê Aiyê, 50, afrontou ditadura com bloco-manifesto e foi levante da Bahia negra no Carnaval. Folha de São Paulo,
São Paulo, 07 fev. 2024. Adaptado. Disponível em: https://www1.
folha.uol.com.br/cotidiano/2024/02/ile-aiye-50-afrontou-ditadura-
-com-bloco-manifesto-e-foi-levante-da-bahia-negra-no-carnaval.
shtml#comentarios. Acesso em: 8 fev. 2024.
Ao longo de nossa história, a relação entre racismo e democracia no Brasil