A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segundafeira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã.
Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de
gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro
ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui
vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que
me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. [...] Ora, foi a lembrança
do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
ASSIS, Machado de. Conto de escola. In: ASSIS, Machado de. Várias Histórias. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2004, p. 100.
Após a leitura do trecho acima e levando em conta aspectos gerais da obra de Machado de Assis,
considere as asserções a seguir.
I. O conflito presente no trecho e a posterior decisão de ir à escola revelam aspectos da personalidade do
personagem-narrador e sinalizam que a escola não é um ambiente convidativo.
II. A idealização do espaço escolar e a romantização dos relacionamentos entre professores e alunos
presentes no trecho dialogam com a estética romântica adotada por Machado de Assis em parte de sua
obra.
III. É possível relacionar acontecimentos que marcaram o período regencial com o enredo do conto, pois a
ação é localizada no ano de 1840 – ano que marca o fim do período regencial e a antecipação da
coroação de Dom Pedro II.
IV. No trecho destacado, estão presentes características da obra de Machado de Assis como o culto à
forma, à objetividade, à impessoalidade e o encadeamento sintático, todas relacionadas ao
parnasianismo.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.