Leia o trecho a seguir.
A discussão sobre interseccionalidade tem ocupado um espaço
importante na pesquisa de gênero. O reconhecimento de que
formas sexuais de injustiça são, por um lado, análogas e, por outro,
empiricamente entrelaçadas com outras formas de injustiça -
como as relacionadas a "raça", etnia e religião - encontra nesse
conceito sua expressão teórica. Tanto racismos quanto sexismos
podem ser entendidos como fenômenos complexos de poder que
operam no contexto de atribuição de diferenças categoriais.
Mesmo que não seja sempre necessariamente assim, eles
frequentemente funcionam por meio de referências a
características corporais e, portanto, por meio de referências a
supostas certezas biológicas. É por isso que atribuições de
diferença de cunho racista ou sexista são geralmente atribuições
de diferenças naturalizadas que exigem validade atemporal ou
pelo menos por longos períodos. Nesse sentido também as formas
racistas e sexistas de poder são diferentes daquelas que operam
vinculadas a relações de classe ou de produção.
Adaptado de: KERNER, Ina. Tudo é interseccional? Sobre a relação entre
racismo e sexismo. Novos estud. CEBRAP (93), 2012, pp. 45- 46.
Assinale a afirmativa que descreve corretamente a interpretação
da autora sobre as abordagens interseccionais nos estudos
sociológicos.