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Ainda existe uma resistência muito grande no sistema de justiça em incorporar o paradigma da Lei Maria da Penha. Persiste uma construção da imagem das vítimas. O comportamento delas é submetido a um escrutínio moral no tribunal do júri. Por outro lado, há uma tendência à desumanização do autor dos crimes — que pode ter tido “um lapso”, “uma forte emoção”, ou pode ter bebido ou usado drogas, ou ser efetivamente um pervertido sexual, alguém que tem um comportamento monstruoso. Nunca o criminoso é o homem racional para quem a lei é dirigida. E isso oculta o conteúdo político da discussão sobre a desigualdade de gênero na sociedade. O discurso que é feito é sempre o de que aquele caso é pontual, uma tragédia individual, e não um episódio que é recorrente na sociedade.
Fernanda Matsuda. A violência doméstica fatal: o problema
do feminicídio íntimo no Brasil. Cejus/FGV, 2014.
Internet:
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue o item seguinte a respeito de gênero e violência.
Desde a década de 30 do século XX, ensaístas da sociologia
brasileira vêm mostrando que as mulheres são vítimas de
violência doméstica e sexual.
"As mulheres, pensadas enquanto um grupo social específico, carregam uma longa história de exclusões, privações, discriminações, opressões. Essa é uma constatação genérica que merece ser concretizada, qualificada e relativizada." (RODRIGUES, 2005, p. 1).
A análise do texto e os conhecimentos sobre feminismo e democracia permitem afirmar:
“A respeito do moderno papel político-social da mulher, li preciosas observações da escritora e professora Rosiska Darcy de Oliveira. Ela entende que se reencena, hoje, o desafio de Antígona e Creonte. E que, no espelho de Antígona, as mulheres agora descobrem um rosto arquetípico. ‘A frágil princesa tebana que, afirmando lei própria, negou a autoridade do rei, volta ao proscênio, viva, e acena às novas gerações’. E continua ela: ‘O desafio deste século 21 será o equilíbrio entre homens e mulheres na partilha do poder, no compartilhamento da decisão dos destinos coletivos e o próprio equilíbrio entre homens e mulheres na partilha da vida em comum’”.