Segundo Durand (2013), as tendências de hibridação cultural, em curso no Brasil e em outras partes
do mundo, e as transformações das concepções a respeito da arte e da dinâmica do campo artístico ao
longo do século XX, dificultam as escolhas e decisões que precisam ser tomadas pela gestão cultural da
área pública. Algumas razões que contribuem para esse fato e uma possível alternativa de ação por parte
da gestão cultural pública, respectivamente, são:
A aos governos não compete a produção da cultura nem o decreto dos valores das obras culturais e de
artes, tendo-se de respeitar a autonomia da criação e a pluralidade das culturas que coabitam no país;
a ausência de metodologia científica disponível que dê suporte para as análises dos projetos culturais
do ponto de vista estético / os governos usarem seu poder de chancela junto aos círculos acadêmicos e
de cultura erudita, instituindo premiações as mais variadas, contribuindo assim para explicitações
consistentes na ideia de qualidade no universo da estética
B o alargamento do mercado nacional das artes e da globalização da cultura nacional; o fomento às artes
ser administrado no mesmo feitio que o amparo à ciência, mesmo sem isso ser aceito no âmbito da
comunidade acadêmica ligadas às artes / uma política cultural de gestão pública que pudesse se apoiar
no conhecimento pericial dos críticos para que sejam estabelecidas diretrizes a partir de parâmetros
democráticos, externalizando-se assim as instâncias de julgamento
C a autoridade pública não pode operar com um espaço da sociedade que é internamente subdividido em
subespaços governados por lógicas diferentes, ligados às culturas eruditas e populares; o poder da
indústria cultural impede que justificativas plausíveis sejam feitas na apresentação dos projetos culturais
que permitam seu financiamento / reconhecer como equivalentes os valores tanto das expressões
artísticas eruditas como das populares, instituindo assim o multiculturalismo, reduzindo-se a
necessidade de monitoramento do avanço da indústria cultural
D aos governos não compete a emissão de pareceres objetivos em relação às artes diante de seus
enigmas estéticos; não poder haver base em hipóteses científicas que leve em consideração os fatores
principais: qualidade, diversidade, preservação e disseminação de valores, garantindo o fluxo de bens e
atividades culturais populares / ações governamentais que resolvessem o caso dos graus inadequados
de profissionalização no campo das artes, dando aos artistas intelectuais espaço para que atuassem
em comitês específicos e autônomos, minimizando assim o amadorismo no estabelecimento de padrões
estéticos para avaliação