Leia o texto a seguir.
A União Soviética, onde os serviços públicos pré-revolucionários haviam sido exterminados durante a revolução,
e onde o regime pouco havia se incomodado com questões
constitucionais durante o período de mudança revolucionária,
chegou a dar-se ao trabalho de promulgar em 1936 uma
constituição inteiramente nova e muito minuciosa (“um véu de
frases e preceitos liberais encobrindo a guilhotina escondida no
fundo”), fato que foi aclamado na Rússia e no exterior como o
fim do período revolucionário. No entanto, a publicação da
Constituição coincidiu com o início do gigantesco superexpurgo
que, em menos de dois anos, liquidou a administração existente
e apagou todos os vestígios de vida normal e da recuperação
econômica conseguida durante os quatro anos que se seguiram
à liquidação dos kulaks e à coletivização forçada da população
rural. Daí por diante, a Constituição stalinista de 1936 teve
exatamente o mesmo papel que a Constituição de Weimar sob
o regime nazista.
ARENDT, Hannah. O Totalitarismo no Poder. In: Origens do Totalitarismo.
Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 439-511.
Conforme o texto, a aproximação entre o regime soviético e
o nazista se deu de que forma?