1 A
terceira grande guerra
ocorre a todo
momento, em cada canto, casa, relação
humana, encruzilhada. Uma ideia diferente, um
jeito diferente e discordante da média
é suficiente para fazer brotar o ódio e a
violência. Soa natural censurar e abolir
debates
que anunciam a necessidade de tratar de
questões que afetam direitos
fundamentais
5 A tecnologia permite
transmissão online e
em tempo real das várias formas de
crueldade e tirania e escravidão que
persistem no mundo. Mas não nos educa e nem
nos prepara para evitá-las, bani-las, varrê-
las do mapa. Isto porque tecnologia é meio e
não fim e humanidade se constrói no um a um,
no encontro entre pessoas que tecem
melhores hojes e amanhãs.
10
E o que nos humaniza? O convívio e o
contato com outros seres humanos e as ideias
de humanidade que cultivamos. Está na arte,
está nas histórias de ficção que revelam a
determinação e a contradição no pensar e no
fazer humano. O contato cotidiano com
a literatura contribui de forma expressiva
para nos manter determinados na tarefa
cotidiana de tornar realidade essa ideia de
humanidade que cultuamos.
15
A literatura nos permite íntima conexão
com a aventura e desventura humana na
Terra e nos alimenta com esperança para
persistir. É por onde nosso direito à
fruição,
ao sonho, a ousar e buscar forças para fazer
do hoje um lugar melhor para se viver.
Como dizem os especialistas, nos contos
fantásticos estão lá os dragões para nos
anunciar que, sim, podemos vencê-los e
persistir em nosso processo de
humanização.
20 Assim disse o
genial escritor Mia Couto ao
receber o título de doutor honoris causa
pela Universidade Politécnica de Maputo: "Um
dos caminhos que nos pode ajudar a
resgatar essa moral perdida pode ser o da
literatura. Refiro-me à literatura como a
arte
de contar e escutar histórias. Falo por mim:
as grandes lições de ética que aprendi
vieram vestidas de histórias, de lendas, de
fábulas. Não estou aqui a inventar coisa
nenhuma. Este é o mecanismo mais eficiente e
mais antigo de reprodução da
moralidade". Imagine se contribuíssemos com a
literatura...
(Adaptado de Christine
Castilho Fontelles –
Extraído de UOL 03/10/2015)