A noção de coerência textual surgiu, no campo da
Linguística Textual, inicialmente, como um fator da
aceitabilidade do texto pelo ouvinte/leitor, e a coesão
textual era considerada um aspecto da gramaticalidade,
no âmbito da frase. Portanto, ambas eram examinadas
como propriedades estritamente linguísticas dos
enunciados. A partir da contribuição de estudos voltados
para o texto e o discurso (Análise do Discurso,
Pragmática, Semântica, Análise da Conversação, entre
outros), a coerência textual passa por redefinições,
provocadas, especialmente, pelo deslocamento de foco
do plano do enunciado para o plano da enunciação, isto
é, da visão de texto como produto para a percepção de
texto como efeito de processos sociointeracionais,
ligados aos discursos.
No trabalho com textos na escola, a ideia de que a
coerência textual (assim como o sentido) não se encontra a priori no texto, mas é construída na situação
interlocutiva, levará o professor a mostrar aos alunos a
necessidade de considerar aspectos ligados às
condições enunciativas, tais como:
I)Intenções e finalidades dos interlocutores.
II)Lugares sociais e institucionais que ocupam e papéis
que desempenham os interlocutores.
III)Conhecimentos compartilhados pelos interlocutores
em relação ao tema e a outros intertextos, ao nível de
linguagem, ao gênero textual e em função do evento de
interação discursiva.
Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), Faculdade de
Educação, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
"Coerência textual".
Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/
verbetes/coerencia-textual. Acessado em 16 de março de 2024.
Está CORRETO o que se afirma em: