O Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) escreveu
Diálogo sobre a conversão do gentio (1556). Nele, há um
diálogo entre dois membros da Companhia de Jesus sobre
os nativos da terra. Observe a seguinte passagem desse
diálogo:
Mateus Nogueira – Estou eu imaginando todas as almas dos
homens serem umas e todas de uma mesma matéria, feitas
à imagem e semelhança de Deus, e todas capazes da glória e
criadas para ela. Diante de Deus, têm a mesma natureza a
alma do papa e a alma de um indígena da capitania do
Espírito Santo.
Gonçalo Álvares – Os indígenas têm alma como nós?
Mateus Nogueira – É claro! Afinal, a alma tem três
potências: entendimento, vontade e memória, que todos
têm. [...] Você teve tão ruim entendimento para entender o
que eu queria lhe dizer como os nativos para entender as
coisas de nossa fé. [...]
NÓBREGA, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São
Paulo: Loyola, 2017, p. 213-214. – Adaptado.
A discussão sobre a existência da alma possuindo
entendimento e vontade, sendo independente do corpo e
suas sensações, e comum a todos os homens, foi depois
tema central em uma corrente da filosofia europeia
moderna, qual seja: