A guerra ou movimento de Canudos é um episódio trágico que marca o processo de transição política que originou a república brasileira, no qual atuaram agentes sociais e políticos com diferentes interesses.
Nesse complexo teatro político, a guerra de Canudos
A
contou com o apoio das esferas eclesiásticas, desejosas de retomar o poder de decisão da igreja católica, subordinado à doutrina positivista republicana prevalecente nos segmentos militares e civis da elite política.
B
deu espaço às reivindicações da população sertaneja por maior participação política na vida civil baiana, para o que foi fundamental o braço armado de bandos de jagunços, que percorriam as vilas do sertão baiano divulgando os ideais dos conselheiristas.
C
foi numericamente expressiva em função do aumento do número de habitantes do arraial de Canudos, graças à migração de trabalhadores agrícolas, que haviam sido expulsos das frentes pioneiras na região sul do país, engrossando as fileiras de devotos conselheiristas.
D
recebeu a adesão de florianistas e jacobinos, grupo radical composto por intelectuais, parlamentares e políticos ligados a oligarquias estaduais, insatisfeitos com a orientação descentralizadora do governo de Prudente de Morais.
E
foi definida como uma rebelião monárquica ameaçadora da nova ordem institucional por parte dos segmentos políticos em confronto na recém‐inaugurada República, na passagem da liderança militar para o grupo dos cafeicultores do Sudeste.