Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir: ...
🏢 FUNDATEC🎯 Prefeitura de Tunas - RS📚 Língua Portuguesa
#Análise Textual
Esta questão foi aplicada no ano de 2022 pela banca FUNDATEC no concurso para Prefeitura de Tunas - RS. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Análise Textual.
Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Aviãozinho
Por Luís Fernando Verissimo
A estratégia do falso aviãozinho que todas as mães do mundo ― literalmente: todas ―
usam para convencer o bebê a comer sua papinha e é tão antiga quanto o próprio avião, não
tem nenhuma lógica. Para começar, é pouco provável que um bebê na idade de comer papinha
sequer saiba o que é um avião. A mãe fazer o ruído do motor enquanto aproxima o
pseudoaviãozinho da sua boca não ajuda em nada, o bebê também não sabe como é barulho de
avião. Para ele, aquilo é apenas outro barulho de mãe.
Em segundo lugar, não há qualquer razão para um bebê aceitar papinha de um avião que
não aceitaria de uma colher. No seu universo, avião e colher é a mesma coisa. Navio e colher é
a mesma coisa. Se o bebê, por um fenômeno de precocidade, se desse conta do surrealismo da
cena ― "Abre a boquinha que lá vai o aviãozinho"?! ― isso seria mais causa para espanto do
que para abrir a boca. Quem quer comer papinha com um avião se aproximando da sua boca,
fazendo barulho?
Pensando bem, nossa infância era cheia de surrealismo inconsciente, de ameaças e
sentenças que só não nos paralisavam de medo ou perplexidade porque não pensávamos muito
a respeito. Não me lembro de ficar muito impressionado com a informação de que eu só não
perdia a cabeça porque ela estava presa no corpo, por exemplo. Hoje, sim, penso naquela terrível
possível consequência da minha distração ― ir embora e deixar a cabeça em algum lugar! Ou,
já que o cérebro estava na cabeça, pelo menos a maior parte, me dar conta de que meu corpo
tinha me esquecido. Sem poder gritar, sem poder sequer assoviar, já que os pulmões tinham ido
junto. Uma cabeça abandonada no mundo, incapaz de sequer se alimentar.
A não ser, claro, que um aviãozinho surgisse, misteriosamente, do passado, carregado
de papinha, para me salvar. Pulseira dourada Mais lembranças inúteis. Tinha eu meus 7 anos...
Se você quiser parar por aqui, tudo bem. Não, não, nenhum constrangimento. Vá ler o resto do
jornal, aqui você só estaria perdendo tempo. O que é isso? Eu entendo. Numa boa. Eu mesmo
só fico porque preciso botar o ponto final. Mas tinha eu meus 7 anos e morávamos em Los
Angeles. Meu pai lecionava na UCLA, eu e minha irmã frequentávamos uma escola perto de casa.
E me apaixonei por uma menina da escola. Uma daquelas paixões dos 7 anos, terrível e, no meu
caso, secreta e silenciosa. Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal
escondida atrás de uns livros, numa prateleira da sala. Uma pulseira dourada dentro de uma
caixa. Um dia, tomei a decisão. Meu amor justificava tudo, até o crime. Peguei a pulseira e a
levei, escondida, para a escola. Na saída, entreguei a caixa para ___ menina ― e saí correndo.
Em casa nunca deram falta da pulseira. A menina nunca disse nada sobre o presente. Eu,
obviamente, nunca mencionei o fato para ninguém, muito menos para a menina ― com quem,
aliás, nunca troquei nem um tímido "hello". A história termina aqui. Eu avisei que você ia perder
tempo. Mas ___ vezes penso naquela pulseira e imagino coisas. Chegar, um dia, nos Estados
Unidos e alguém da imigração americana consultar um computador e dizer "Há a questão de
certa pulseira dourada na Califórnia, Mr. Verissimo...". Estar assistindo ___ entrevista de alguma
atriz famosa na TV e ela contar que um dia, quando tinha 7 anos, um garoto estranho lhe
entregara uma pulseira e saíra correndo, e mostrar a pulseira dourada, que lhe dera sorte, que
era responsável pelo seu sucesso, e que ela nunca pudera agradecer... Pelo menos minha vida
de crimes acabou ali. Post scriptum tipo nada a ver com nada. Muitos anos depois visitei o bairro
em que morávamos em Los Angeles e fui procurar a escola, palco do meu gesto tresloucado.
Tinha sido destruída por um terremoto.
(Disponível em: Cultura Genial – https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:
I. Segundo o autor, a estratégia do aviãozinho não faz sentido, pois bebês não fazem ideia do que seja um avião.
II. O autor se lembra de ter sempre sentido um medo terrível de ver sua cabeça separada do corpo.
III. O autor entregou a pulseira para uma menina que hoje é famosa e que usa a bijuteria como seu amuleto da sorte.