Pereira e Lemos, em seu artigo "O trabalho do/a assistente social no atendimento à população
transgênero e travesti" (2021), a transgeneridade caracteriza-se quando a pessoa não se identifica
com o sexo biológico designado ao nascer, ou seja, quando este não corresponde à identidade de
gênero daquela pessoa. A identidade de gênero representa como alguém se sente e se apresenta no
mundo, sem que isso implique uma relação direta e inevitável com o sexo biológico. Para além
desses conceitos, uma pessoa também pode se identificar com aspectos sociais de mais de um
gênero, flutuando entre ambos, ou com nenhum gênero normativo binário. Sobre a transgeneridade
podemos afirmar:
I- Os preconceitos, as discriminações e as violências que as pessoas trans e travestis sofrem e de
que são vítimas, sustentam-se em uma lógica normativa de controle dos corpos, que traz,
igualmente, benefícios ao modo de produzir e viver em uma sociedade capitalista.
II- O binarismo de gênero pressupõe uma ideologia que afirma que homens e mulheres são
radicalmente diferentes e que essa diferença está assentada no sexo biológico, portanto, imutável e
inquestionável.
III- Aqueles que se reconhecem dentro da transgeneridade, da travestilidade e do não binarismo de
gênero são aceitos pela sociedade cisgênera, heterossexista e patriarcal.
IV- Ao falar sobre gênero, é essencial compreender as desigualdades entre mulheres e homens
como históricas, naturalizando as relações de poder impostas e construídas socialmente.