Leia o texto a seguir.
No país das telenovelas, as produções asiáticas
têm conquistado cada vez mais espectadores
Alexandre Fonseca
Em um primeiro momento, a palavra pode
soar estranha, o que não a impediu de ser sucesso
entre os fãs e “figurinha fácil” nas redes sociais.
Dorama é a forma como os japoneses leem a
palavra drama (do inglês) com o katakana, silabário
utilizado para “niponizar” palavras estrangeiras. Mas
do que se trata, afinal? Bom, na web, o uso do termo
para séries japonesas engloba uma variedade de
produções asiáticas, como as novelas coreanas (Kdrama) e chinesas (C-drama).
O sucesso dessas produções é tão grande
por aqui, que em 2020 o Brasil, o país das
telenovelas, ficou em 3º no ranking de países que
mais consumiram “doramas” durante o período
pandêmico, conforme mostrou a pesquisa da
Fundação Coreana para Intercâmbio Cultural
Internacional (Korea Foundation for International
Culture Exchange – KOFICE).
Mas o que essas novelas ou séries têm que
outras produções ocidentais não possuem? Para
alguns dorameiros, como são conhecidos os
aficionados por dorama na internet, a principal
diferença seria a forma como as relações são
abordadas, principalmente as românticas.
A assistente administrativa Kenya Ramos,
de 20 anos, acha que as telenovelas brasileiras
banalizam a troca de afeto, fazendo com que o
romance aconteça rápido demais. “Estamos tão
acostumados a ver o relacionamento rolar tão
rápido, que um beijo é algo super comum aqui no
Brasil. Nos doramas é diferente: demora para
acontecer. A importância que eles dão a esses
temas é o que nos prende. O beijo demora a
acontecer e até para pegar na mão tem aquele
suspense”, observa a jovem.
A opinião de Kenya é corroborada pelo
fotógrafo João Paulo Andrade, de 33 anos.
Espectador de produções asiáticas desde a infância
(na década de 1990 houve a primeira “invasão” da
cultura oriental no Brasil, com os animes), ele
considera que nos doramas a questão
comportamental tem um desenvolvimento amoroso
melhor construído. “A questão é que o amor aqui
acaba se resumindo muito ao contato físico e
libidinoso. No dorama está muito mais ligado aos conflitos externos e culturais, assim como uma
idealização do amor e das normas culturais”,
destaca. “Sempre é pensado no que a sociedade vai
pensar, no que os pais vão pensar e acabam dando
ênfase a esses pontos. Enquanto na nossa cultura,
apesar de ter tudo isso nas telenovelas, acaba muito
mais indo para uma conjunção carnal que um
desenvolvimento de amor”, reitera.
O estudante de 17 anos Hitalo Lopes conta
que sua incursão pelo mundo dos doramas se deu
graças ao k-pop, a música pop produzida na Coréia
do Sul. “Minha banda favorita de k-pop é o Twice.
Uma coisa acabou puxando a outra”, lembra,
destacando gosto pelo dorama “Woo, uma
advogada extraordinária”.
“Gosto dessa cultura porque o estilo é muito variado,
então você acaba gostando de muitas coisas
diferentes”, revela o estudante.
Segundo o texto, o dorama se tornou uma “figurinha
fácil” devido