Leia o texto a seguir para responder à questão.
O medo de ficar longe das telas
Muito se tem atribuído os altos índices de transtornos
mentais de crianças e adolescentes ao uso irrestrito das telas.
Um artigo do “The New York Times”, em 2024, comentou
sobre a ligação entre a proliferação de algoritmos que viciam
e o colapso da saúde mental dos jovens, incluindo fatores
como depressão, pensamentos suicidas e automutilação. No
artigo, a colunista Michelle Goldberg menciona os impactos
catastróficos do uso excessivo das redes sociais, que estimulam padrões de beleza e de popularidade irreais, e afetam os
adolescentes, em especial as meninas.
Fato é que vivemos uma epidemia de excesso de telas.
Nunca se cunharam tantos termos para denominar tantos
vícios. Nomofobia é um deles, até então usado para pessoas
com mais idade, mas que agora inclui os jovens. A palavra
vem de no mobile phobia (fobia de ficar sem celular). É o
termo para descrever o medo irracional de não ter acesso à
internet.
Um estudo da Western University, liderado pela professora de Neurociência Emma Duerden, no Canadá, coletou
dados que revelaram que, durante a pandemia, as crianças
passaram mais que o dobro do tempo recomendado em frente às telas. Ou seja, de pouco menos de 6 horas por dia para
impressionantes 13 horas por dia, quase todos os minutos
em que estavam acordadas, o que provocou o aumento dos
níveis de ansiedade e depressão.
Em seu best-seller “A Geração Ansiosa”, Jonathan Haidt*
apresenta estatísticas sobre a saúde mental dos jovens e
explica como a redução do tempo de brincadeiras ao ar livre
e a supervisão excessiva dos pais prejudicam o desenvolvimento social e emocional das crianças. Segundo ele, as
crianças precisam de brincadeiras livres para que se tornem
resilientes e capazes de avaliar riscos, contudo a sociedade
tem privado os jovens dessas experiências importantes.
Para o Instituto de Ciências da Educação (IES), criar
ambientes livres de tecnologia em casa, como durante as
refeições ou na hora de dormir, pode reduzir a dependência
dos dispositivos. Hoje, conversar abertamente com os jovens
sobre os riscos do uso excessivo da internet e a respeito do
comportamento online responsável é fundamental.
(Carolina Delboni. www.estadao.com.br/emais/carolina-delboni/
nomofobia-o-medo-de-ficar-longe-das-telas-afeta-saude-
-mental-de-criancas-e-adolescentes/?utm_source=estadao:mail
Publicado em 30.09.2024. Adaptado)
*Jonathan Haidt: psicólogo social e professor da Universidade de Nova York.