A Proclamação da República, em fins do século XIX, foi o resultado de um longo processo de crise da monarquia
no Brasil. O regime monárquico começou a entrar em decadência logo após o fim da Guerra do Paraguai, em
1870, e o golpe que resultou na queda do imperador Pedro II fez culminar uma crise política que se agravava há
bastante tempo. Todas as afirmações feitas sobre este processo são verdadeiras, EXCETO:
A A política no Segundo Reinado sempre foi complicada, sobretudo pela briga ferrenha entre conservadores e
liberais. Essa situação se agravou com a crise de sub-representação de algumas províncias. Na segunda
metade do século XIX, o eixo econômico do país tinha consolidado sua mudança do Nordeste para o
Sudeste, mas províncias como São Paulo, que já era o grande centro econômico do Brasil, tinham
representação menor que Bahia e Rio de Janeiro, o que indispunha a elite paulista com a monarquia.
B Respondendo às pressões sociais por ampliação da participação política a monarquia fez aprovar a ''Lei
Saraiva", em 1881. Esta lei fez crescer o eleitorado no país e insatisfez às elites parlamentares, indispondo-as com a monarquia.
C José Murilo de Carvalho, em "A formação das almas – o imaginário republicano no Brasil", afirma que em
fins do século XIX fermentavam pelo menos três projetos republicanos no Brasil – o liberal, o jacobino e o
positivista. Segundo ele, o projeto liberal, cuja base social eram os cafeicultores, foi o vencedor e o
responsável pela consolidação do regime republicano no Brasil.
D Entre os partidos prevalecentes no Segundo Reinado, conservadores e liberais eram minimamente
diferenciados. O Partido Conservador queria um regime forte, tendo a autoridade concentrada na figura do
imperador e pequena liberdade para as províncias. Já o Partido Liberal era favorável a que o parlamento
fosse fortalecido e houvesse mais autonomia para as províncias. Esta diferença, entretanto, se limitava ao
discurso, na medida em que, na prática, nada mais liberal do que um conservador na oposição e nada mais
conservador do que um liberal no poder.
E Segundo Aristides Lobo, um dos propagandistas da República, o povo assistiu bestializado à proclamação
da República. O historiador José Murilo de Carvalho, entretanto, desmontou essa afirmação, em livro já
clássico no âmbito da historiografia brasileira, demonstrando que a indiferença dos brasileiros do Rio de
Janeiro com a proclamação da República era resultante de uma percepção que estes tinham de que a
proclamação era um gesto elitista que não dizia respeito a eles. Para este autor, ao invés de bestializados
os brasileiros seriam bilontras.