Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem
soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo
com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria
por um reino: “Seguramente não, senhor, e no entanto eu
o daria de bom grado se com isso obtivesse a amizade de
um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo”.
E estava certo ao dizer “se”, pois se encontramos facilmente
homens aptos a travar conosco relações superficiais, o
mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade
sem reservas. Nesse caso, é preciso que tudo seja límpido e
ofereça completa segurança.
(Montaigne, Da amizade. Adaptado)