Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941201497019

No trecho “E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.” (1º§), a oração destacada ex...

1

457941201497019
Ano: 2023Banca: Instituto ConsulplanOrganização: FEPAM - RSDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Orações Subordinadas Adverbiais | Sintaxe
Texto associado
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


          A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
          A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
         A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
       A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
       A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
        A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
      A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
      A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
     A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


(COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco,
1996.)
No trecho “E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.” (1º§), a oração destacada exerce a função sintática de subordinada adverbial
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200180395Língua Portuguesa

Os substantivos podem ser flexionados em masculino e feminino. Em qual alternativa o termo destacado se refere a um substantivo masculino?

#Morfologia#Substantivos
Questão 457941200224362Língua Portuguesa

A preposição traduz uma noção semântica específica somente no contexto em que é empregada. Identifique as relações de sentido das preposições sublinha...

#Preposições#Morfologia
Questão 457941200310690Língua Portuguesa

Leia atentamente o enunciado a seguir: O diagrama recebeu a aprovação da Diretoria Executiva. Após ser persistentemente debatido. Sobre esse enunciado...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941200413338Língua Portuguesa

Dos versos a seguir, assinale aquele que representa a figura de linguagem polissíndeto.

#Análise Textual#Funções da Linguagem
Questão 457941200697853Língua Portuguesa

Quanto ao foco narrativo, pode-se afirmar que:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201112215Língua Portuguesa

A partir da inferência, é possível derivar conclusões segundo informações e premissas de que se tem conhecimento. Um termo cujo significado se pode de...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201498429Língua Portuguesa

Haicai tirado de uma falsa lira de Gonzaga Quis gravar “Amor” No tronco de um velho freixo: “Marília” escrevi. (BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inte...

#Relações Intertextuais#Recursos Estilísticos#Categorias Textuais#Análise Textual
Questão 457941201595864Língua Portuguesa

“No entanto, mais do que o conceito de deficiência, a LBI trata de diversas ferramentas para garantir que todos os direitos das pessoas com deficiênci...

#Uso dos Conectivos#Sintaxe
Questão 457941201771446Língua Portuguesa

Por razões de comodidade técnica, a argumentação deve ser entendida como um processo que envolve orador e auditório por meio do discurso. Assim, para ...

#Análise Textual
Questão 457941202020354Língua Portuguesa

Em “Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.” (6º§), a frase é formada, consecutivamente, por:

#Morfologia Verbal

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Orações Subordinadas AdverbiaisQuestões do Instituto Consulplan