Foi bem saber-se que o Sertão não só fala a língua do não
(...)
Os escritores que do Brejo, ou que da Mata, têm o sestro
de só dar a vê-lo no pouco, no quando em que o vê, sertão-osso.
Para o litoral, o esqueleto é o ser, o estilo sertanejo,
que pode dar uma estrutura ao discurso que se discursa.
Tu, que conviveste o Sertão quando no sim esquece o não,
e sabes seu viver ambíguo, vestido de sola e de mitos,
a quem só o vê retirante, vazio do que nele é cante,
nos deste a ver que nele o homem não é só capaz de sede e fome.
Sertanejo, nos explicaste como gente à beira do quase,
que habita caatingas sem mel, cria os romances de cordel:
o espaço mágico e o feérico, sem o imediato e o famélico,
fantástico espaço suassuna, que ensina que o deserto funda
(Trecho de: A pedra do reino. NETO, João Cabral de Melo)
No poema, reforça-se a ideia de que, por meio da obra de Suassuna, fica demonstrado que há um vigoroso caldo cultural no sertão nordestino. Tal ideia se encontra no verso que está em: