O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Banco Global de Sementes, na Noruega, protege
plantas contra o fim do mundo
A longínqua cidade de Svalbard, na Noruega, já foi
chamada de "a cidade do fim do mundo". No sentido
estrito da palavra, ela fica, de fato, no fim do mundo − é a
cidade mais remota do planeta. Trata-se de um
arquipélago no meio do Oceano Ártico, onde vivem
2.200 pessoas − mais ao Norte, não há nada além de
geleiras. A civilização literalmente termina por lá.
A tal "cidade do fim do mundo" também é preocupada
com o fim do mundo. Ela abriga o Global Seed Vault
(banco global de sementes), basicamente um grande
cofre com 1,2 milhão de sementes − mas capacidade
para 2,5 bilhões, de 4,5 milhões de espécies diferentes.
São caixas e caixas de produtos agrícolas vindos de
quase todos os países do mundo − o Brasil já contribuiu
com sementes de arroz, feijão e milho. Elas ficam
guardadas em três salas, mas você só chega lá depois
de passar por um corredor de 120 metros dentro de uma
montanha, e por 5 portas anti-explosões. O bunker é
mantido sob temperatura de -18 graus celsius e fica
trancado 350 dias por ano − só é aberto para inspeções
ou para receber mais sementes.
Nada seria mantido atrás de tantas camadas de
segurança se não fosse muito valioso. O Seed Vault foi
inaugurado em 2008 como uma parceria entre
instituições governamentais da Noruega e a organização
internacional Global Crop Diversity Trust − fundada em
2004 pela Food and Agriculture Organization (FAO), um
órgão da Organização das Nações Unidas. O objetivo é
manter um estoque de tudo que a humanidade planta
para, no caso de um apocalipse, poder reconstruir a
agricultura mundial.
As sementes são lacradas em embalagens com três
camadas, que também são lacradas dentro de caixas e
guardadas em prateleiras dentro do cofre. A baixa
temperatura e umidade dentro do Seed Vault garantem
também uma baixa atividade metabólica, mantendo as
sementes viáveis por muito tempo.
"Nós esperamos que as sementes se mantenham férteis
por centenas de anos", diz o biólogo Åsmund Asdal,
coordenador do bunker, em uma entrevista à Super em
2017.
De acordo com o site do "banco", ele é a "apólice de
seguro definitiva para a alimentação mundial, garantindo
milhões de sementes de todas as culturas importantes
no mundo disponíveis hoje e oferecendo opções para as
gerações futuras superarem os desafios das alterações
climáticas e do crescimento populacional".
Se enchentes, guerras, epidemias ou outros desastres
naturais comprometerem as plantações mundiais, o
Global Seed Vault provê esse armazenamento de
segurança: um backup dos nossos padrões alimentícios. E o primeiro "saque" do banco já aconteceu. Em 2015,
por causa dos estragos feitos pela guerra civil, a Síria fez
a primeira (e única) retirada de sementes do cofre.
Foram 38 mil, de várias espécies do Oriente Médio.
A localização do bunker foi escolhida levando em conta
algumas questões: a permafrost (um tipo de solo mistura
de terra e gelo) e a grossa camada de rochas da
montanha oferecem um resfriamento natural para as
sementes − os gastos com ar-condicionado são bem
menores. A entrada fica 130 metros acima do nível do
mar, então inundações não ameaçam o estoque. A área
também é geologicamente estável, com baixos níveis de
umidade. Svalbard é um bom balanço entre um local
remoto, porém acessível.
Retirado e adaptado de: CAPARROZ, Leo. Banco Global de
Sementes, na Noruega, protege plantas contra o fim do mundo.
SuperInteressante.
Disponível https://super.abril.com.br/ciencia/banco-global-de-sementes-na-norueg
a-protege-plantas-contra-o-fim-do-mundo/ Acesso em: 16 jan., 2024.