Leia o texto I, para responder à questão.
A natureza humana imutável
Mudam os modismos, mudam os costumes, mas certas
coisas nunca mudam. Quando se trata do ser humano, há
certas características um tanto rígidas, paixões imutáveis.
É o que nos permite ler as tragédias gregas ou shakespearianas e compreender exatamente os sentimentos expressados
ali, apesar dos séculos que nos separam e criam contextos
um tanto distintos.
Compreender o que não muda nunca quando se trata
do bicho-homem é importante para não cair em tentações
revolucionárias de criar o “novo-homem” e um “novo mundo”.
Os conservadores são mais realistas nesse aspecto do que
os progressistas. Eles sabem que “é aquilo que é”, ou seja,
precisamos trabalhar com a matéria-prima que temos, imperfeita, sujeita a certas inclinações inalteráveis, independentemente da época.
Prever como será o mundo daqui a 50 anos é impossível.
Mas prever que as pessoas ainda responderão à ganância,
ao medo, à oportunidade, à exploração, ao risco, à incerteza,
às aflições tribais e à persuasão social da mesma forma é
uma aposta mais segura.
Os que procuram olhar o copo meio cheio e aceitar as
contingências do destino com alguma resignação parecem
viver mais felizes. Sua felicidade depende mais de suas
expectativas do que de qualquer outra coisa. Portanto, em
um mundo que tende a melhorar para a maioria das pessoas
na maior parte do tempo, uma habilidade importante para a
vida é fazer com que a trave pare de se mover. Também é
uma das mais difíceis. A grama do vizinho é sempre mais
verde, e a inveja é uma daquelas paixões mesquinhas que
nunca desaparecem por completo…
Montesquieu escreveu, há 275 anos: “Se você apenas desejasse ser feliz, isso seria facilmente conseguido;
mas desejamos ser mais felizes do que as outras pessoas,
e isso sempre é difícil, pois acreditamos que os outros são
mais felizes do que são.” Isso, na era do Instagram, piorou
bastante. A economia de hoje é boa em gerar três coisas: a
riqueza, a capacidade de exibir riqueza e uma grande inveja
pela riqueza dos outros.
O homem odeia as incertezas e almeja uma falsa sensação de segurança. O filósofo conclui: “A ideia de que o que
está à nossa frente é um buraco negro de incerteza pode
ser tão intimidante que é mais fácil acreditar no oposto – que
podemos ver o futuro e que seu caminho é lógico e previsível.
Nenhuma crença na história é tão comum e nenhuma crença
é tão consistentemente errada.”
(Rodrigo Constantino, Revista Oeste, 02.02.2024. Adaptado)