Atrelado à validade dos atos administrativos, está também o princípio constitucional da moralidade.
Segundo o sistematizador do conceito, Hauriou, citado por Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo
Brasileiro - Editora RT. 23.ª ed. São Paulo: 1998, p. 88), não se diz respeito à moral comum, mas sim à
moral jurídica que pode ser entendida como "o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior
da Administração".
Sendo assim, assinale a alternativa que contém a explanação correta sobre o princípio da moralidade:
A O senso empírico que rege a Administração Pública. O agente deve ser capaz de julgar o que é oportuno e
inoportuno, de acordo com sua capacidade natural. Desta forma, o agente é livre para considerar que determinada
norma está ou não de acordo com o que é lhe é conveniente, e através da moralidade, pode-se deixar de observar
o que lhe é imposto por lei para praticar o que lhe é considerado bom.
B A imposição que recai ao agente, que não apenas deve seguir o senso de bem ou mal, mas garantir que a
validade do ato esteja em acordo com a lei jurídica e também de acordo com a lei ética. Com o objetivo de se
alcançar o bem comum, deve-se cumprir com a estrita legalidade, respeitando a justiça e razoabilidade.
C Liberdade de se expressar de acordo com a visão pessoal de honesto e desonesto. O agente público é dotado
da capacidade humana de discernimento, e ao representar a Administração Pública em seus atos, se torna a
autoridade em julgar o que é compatível com os interesses comuns, mesmo que a lei em papel lhe imponha o
contrário.
D Brecha administrativa que regulamenta os atos não regulados por leis específicas. Mesmo que o leque de
legislação no Brasil seja capaz de abranger todas as esferas administrativas, o agente pode se deparar com algo
novo. Ao se fazer uso da moralidade, ele estudará o caso real de acordo com os óculos do que é socialmente
viável ou não. Resguardado por essa brecha, o ato administrativo se torna válido.
E O princípio que impõe ao agente ser guiado pelo conceito moral de certo ou errado. Os atos administrativos
devem estar de acordo com o que é bom ou ruim. Nesse princípio, os bons costumes estão acima da legalidade,
e, se o cumprimento do ato garantiu que, no mínimo, o princípio da moralidade foi resguardado, tal ato já está
validado, mesmo que não praticado dentro da legalidade.