Considere o texto sobre a opressão no
espaço escolar.
O espaço escolar é compreendido como parte
integrante da realidade socioespacial da
cidade, que compõe relações e é por elas
simultaneamente instituído. Se, por definição, a
escola é o local da inclusão, da convivência das
diferenças, do acesso democrático ao
conhecimento, para as travestis ela é, ao invés,
local de sofrimento, de violência e ataque
cotidiano à sua autoestima, abortando suas
possibilidades de conquistas materiais e
sociais futuras. O espaço escolar reproduz o
texto hegemônico da heteronormatividade já
vivenciada na cidade. Contudo, segundo elas,
outros espaços da cidade em que são
discriminadas elas podem se privar de
frequentar. A escola não; é uma obrigação a ser
cumprida, imposta pela família e pela
sociedade como necessária, tornando-se seu
maior calvário. Ainda que ocultas, as travestis
vivenciam esses espaços, e a geografia pode
dar voz a esses sujeitos silenciados e subverter
a ordem instituída, que tanto tem naturalizado
as injustiças cotidianas perpetradas pela ordem
econômica compulsória da heteronormatividade.
SILVA, Joseli. A cidade dos corpos transgressores da
heteronormatividade. In: Silva, J. (Org.). Geografias
Subversivas. Ponta Grossa: Todapalavra, 2009, p. 137.
O texto acima se insere na tendência dos
estudos de geografia feminista e geografia das
sexualidades que contêm o seguinte
argumento: