O debate sobre o desenvolvimento agrário brasileiro, especialmente no que tange à
relação entre o campesinato e o capital, foi abordado por Caio Prado Junior e Maria de
Nazareth Baudel Wanderley sob diferentes óticas e contextos distintos. As duas abordagens
dialogam com as formas históricas e contemporâneas da estrutura fundiária e com as
estratégias de reprodução do campesinato dentro do capitalismo agrário. Enquanto Caio
Prado Junior analisa a transição capitalista no campo brasileiro, marcada pela crítica à tese
feudalista, Maria de Nazareth Wanderley atualiza e complexifica o entendimento da relação
entre o capital e o campesinato no contexto moderno da agricultura brasileira.
(Fonte: WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel. O mundo rural como espaço de vida: reflexões
sobre a propriedade da terra, agricultura familiar e ruralidade. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2009.)
Sobre esse assunto, analise as afirmativas a seguir:
I. Caio Prado Jr. argumenta que as relações de produção no Brasil são pré-capitalistas, de modo que o trabalhador rural tem a autonomia do camponês,
estando fora da lógica capitalista.
II. Maria de Nazareth Wanderley argumenta que a permanência do campesinato está
diretamente relacionada ao seu papel na reprodução do capital, seja por meio da
grande propriedade ou da propriedade familiar.
III. Para Caio Prado Jr., o campesinato teve um papel central na resistência à formação
do capitalismo no Brasil, devido à sua organização interna de subsistência e
autonomia frente ao latifúndio.
IV. Wanderley destaca que o Estado teve um papel importante na reprodução da
grande propriedade e na manutenção de relações de exploração que envolvem
tanto o campesinato quanto a força de trabalho assalariada.
V. Tanto Caio Prado Jr. quanto Maria de Nazareth Wanderley reconhecem a função do
campesinato como um sujeito de resistência política e econômica, capaz de
subverter o sistema capitalista agrário.
Estão corretas as afirmativas