Efetivamente, em qualquer lugar onde olhares, a sabedoria te fala pelos vestígios que imprimiu em todas as suas
obras. E quando recais de novo no amor às coisas exteriores, é valendo-se da própria beleza dos seres exteriores
que ela te chama a teu interior. E isso a fim de que, vendo tudo quanto te encanta nos corpos e te seduz, através
dos sentidos corporais, reconheças que está repleto de números. Ao indagares de onde vem isso, entra em ti
mesmo e compreende tua impotência de julgar para o bem ou para o mal os objetos percebidos por teus sentidos.
Pois não poderias aprovar ou desaprová-los, se não tivesses dentro de ti certas leis estéticas, às quais confrontas
todas as belezas sensíveis do mundo exterior.
SANTO AGOSTINHO, O Livre Arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995, p.128.
O acesso perceptivo à realidade exterior e sensível oferece um obstáculo ao conhecimento do que é
inteligível, pois o inteligível tem natureza distinta do sensível. Marque a alternativa correta acerca da resposta
de Santo Agostinho a esse problema. Para ele, a realidade exterior contém em sua natureza a beleza da criação
e, ao ser percebida pela alma, favorece a possibilidade do reconhecimento das verdades inteligíveis