Leia o excerto a seguir, de A metamorfose, de Franz Kafka.
– Queridos pais – disse a irmã e como introdução bateu com
a mão na mesa –, assim não pode continuar. Se vocês acaso
não compreendem, eu compreendo. Não quero pronunciar
o nome do meu irmão diante desse monstro e por isso
digo apenas o seguinte: precisamos tentar nos livrar dele.
Procuramos fazer o que é humanamente possível para tratálo e suportá-lo e acredito que ninguém pode nos fazer a
menor censura.
– Ela tem mil vezes razão – disse o pai consigo mesmo.
A mãe, que ainda não podia respirar direito, começou a tossir,
em som surdo, com a mão espalmada, com uma expressão
alucinada nos olhos.
A irmã correu até a mãe e segurou-lhe a testa. O pai, que
através da irmã parecia ter chegado a pensamentos mais
definidos, havia se sentado em posição ereta e ficou brincando
com o quepe de funcionário entre os pratos do jantar dos
inquilinos que ainda jaziam sobre a mesa; de vez em quando
olhava para Gregor, que estava quieto.
– Precisamos nos livrar disso – disse então a irmã
exclusivamente ao pai.
KAFKA, Franz. A metamorfose. Tradução Modesto Carone. São Paulo:
Companhia das Letras, 2004, pp. 74-75.
Com base no excerto, assinale a alternativa correta.