“A princesa Isabel, diziam as narrativas, era abolicionista,
inteligente, caridosa, humana, gentil e muito generosa. No
entanto, identifiquei, anos depois, por meio de múltiplas leituras,
que ela não “acolheu” dignamente os negros livres. Não havia
tanto transbordamento de bondade em seu ato. Foi antes de tudo
um ato político, a favor de uma situação que já havia se tornado
insustentável. Ela não ofereceu, junto com a assinatura da Lei
Áurea, um plano de futuro para a população liberta naquele
momento. Ela era o poder e, caso desejasse, poderia ter feito
diferente. Este fato evidencia a falta de empatia dela em relação
aos seres humanos negros. Depois dessas múltiplas leituras,
entendi o contexto histórico do período pós-abolição e percebi o
quanto o caminho dos negros libertos poderia ter sido diferente.
Toda ode à princesa Isabel, construída pela escola em que estudei,
e que morava dentro do meu peito, desabou como um castelo de
cartas.”
(ROSA, Sonia. Reflexão antirracista de bolso: conversa preta: diálogos sobre
racismo nas convivências por meio da educação e da literatura. São Paulo: Arco 43,
2022. p. 49)
Com base no texto, podemos dizer que a concepção de História
que marcou o ensino da disciplina é a