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Obrei quanto o discurso me guiava,
ouvia aos sábios, quando errar temia;
aos bons no gabinete o peito abria,
na rua a todos como iguais tratava.
Julgando os crimes, nunca voto dava
mais duro ou pio do que a lei pedia;
mas devendo salvar ao justo, ria,
e devendo punir ao réu, chorava.
Não foram, Vila Rica, os meus projetos
meter em férreo cofre cópia d'oiro
que farte aos filhos e que chegue aos netos;
Outras são as fortunas que me agoiro:
ganhei saudades, adquiri afetos,
vou fazer destes bens melhor tesoiro.
(GONZAGA, Tomás Antônio. In: Marília de Dirceu e Cartas Chilenas . São Paulo: Editora Ática, 1997, p. 80).
Tomás Antônio Gonzaga, também conhecido pelo nome poético de Dirceu, é classificado, pela historiografia da literatura brasileira,
como um escritor pertencente ao Arcadismo . Tendo em vista a leitura do poema acima, a afirmação em destaque pode ser comprovada por quê? Assinale a resposta
CORRETA.
A os poetas árcades propunham como ideal uma vida em tranquilidade, junto à natureza, exemplificada no primeiro terceto do poema.
B os poetas árcades valeram-se do conceito de aurea mediocritas , certos da felicidade que lhes traz cada instante, reflexão presente no último terceto do poema.
C os poetas árcades inspiraram-se na literatura da Antiguidade Clássica, e o tema da mitologia está em evidência no poema.
D os poetas árcades, apesar de burgueses, privilegiavam os sentimentos em vez dos valores materiais, reflexão presente no segundo terceto do poema.
E os poetas árcades recuperaram valores neoclássicos, como o carpe diem , aproveitar o momento presente, o qual está enunciado no segundo quarteto do poema.