Daniel Munduruku, em uma entrevista dada ao Porvir,
em fevereiro de 2023, explicou que uma escola, que
acolhe, é aquela que foge aos moldes da escola
ocidental que conhecemos. Uma escola sem paredes
que pode se configurar em um ambiente alfabetizador.
Nas palavras dele:
A comunidade é a escola e todos são responsáveis
pela educação. Tentar juntar as crianças em um prédio
cheio de formalidade, cheio de protocolos, quase
sempre faz com que elas se sintam desconfortáveis embora se saiba que hoje a escola é muito importante
e ela tem a sua importância até para que os indígenas
possam conhecer melhor a sociedade onde vivem.
Ainda assim, é muito difícil ter uma escola que, de fato,
siga os métodos indígenas de educar. Essa escola
ocidental não é a escola ideal nem mesmo para
ocidental, muito menos para indígena, que é livre. Eu penso que uma escola que se queira, de fato, para os
povos indígenas, tem que ser uma escola que siga os
moldes da educação ancestral, da educação coletiva e
comunitária.
Disponível em: <htps://porvirorg/daniel-munduruku-o-professor-deve-seperguntar-qual-e-o-indigena-que-mora-dentro-de-mim/>. Acesso em: 19 jul. 2024.
Considerando as ideias de Daniel Munduruku, para
constituir um ambiente alfabetizador, na perspectiva
das comunidades indígenas, os materiais e
metodologias utilizados na educação escolar indígena, nos anos iniciais do Ensino Fundamental devem
priorizar:
I. O uso da língua indígena de forma permanente,
materializando essa pratica em aulas orais, cantos,
exercícios e tarefas escritas e orais cotidianas.
II. A produção de materiais didáticos específicos
bilingues ou multilíngues, a depender do contexto, que
retratem aspectos da cultura, histórias e modos de vida
próprios da sua comunidade.
III. Os conhecimentos dos currículos tradicionais não
indígenas de forma a instrumentalizar as crianças para
o convívio social e, futuramente, sua inserção no
mercado de trabalho.
IVA aplicação de instrumentos de avaliação
tradicionalmente utilizados nos diversos sistemas de
ensino e que estão em consonância com as avaliações
de larga escala.
É correto o que se afirma em: