Os parágrafos a seguir estão ordenados de forma aleatória.
(1) Deitado ao lado do aquecedor (que manhã mais fria!), ele se entrega, sem pensar, às delícias do
calor macio. Nesse momento, ele é um monge budista: nenhum desejo o perturba.
(2) Camus observou que o que caracteriza os seres humanos é a sua recusa a serem o que são. Eles
não estão felizes com o que são. Querem ser outros, diferentes. Por isso somos neuróticos, revolucionários e
artistas. Do sentimento de revolta, surgem as criações que nos fazem grandes. Mas, nesse momento, eu não
quero ser grande. Quero simplesmente ter a saúde de corpo e de alma que tem o meu gato. Ele está feliz com
a sua condição de gato. Não pensa em criações que o farão grande.
(3) Desejos são perturbações na tranquilidade da alma. Ter um desejo é estar infeliz: falta-me alguma
coisa, por isso desejo… Mas, para o meu gato, nada falta. Ele é um ser completo. Por isso, pode se entregar
ao calor do momento presente sem desejar nada. E esse “entregar-se ao momento presente sem desejar nada”
tem o nome de preguiça. Preguiça é a virtude dos seres que estão em paz com a vida.
(4) Olho para o meu gato e medito. Medito teologias. Diziam os teólogos de séculos atrás que a harmonia
da natureza deve ser o espelho em que os seres humanos devem buscar suas perfeições. O gato é um ser da
natureza. Olho para o gato como um espelho. Não percebo nele nenhuma desarmonia. Sinto que devo imitálo.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/filosofia-do-gato-uma-cronica-adoravel-de-rubem-alves/. Acesso
em: 31 ago. 2021. (Fragmento)
Considerando-se que a organização de um texto pressupõe ordenação coerente de suas partes,
assinale a alternativa que evidencia, de forma lógica, a ordenação dos parágrafos do texto, de cima para baixo,
com base nos números indicados.