“Eu queria que com a nova República não
houvesse diferença entre o rico e o pobre na
sociedade. (...) na parte em que eu disse que
quero que haja a igualdade entre o pobres e os
ricos, porque muitas vezes isso causa morte, se
num hospital tem um pobre muito doente, e
chega um rico que não tem doença nenhuma,
muitas vezes atendem primeiro o que tem
dinheiro que é o rico, isso quer dizer que há
desigualdade social. E que a reforma agrária
fosse bem feita. Que dividissem as terras
igualmente porque o nosso país tem muitas
terras.”
Carta de Síntia Socorro G. de Castro à Assembleia Nacional
Constituinte. Sugestões da população para a Assembleia
Nacional Constituinte de 1988. ORIGEM: L018 DATA: 24/02/86
FORMUL: 447 DV: 7 TIPO: 14 19/11/86. Disponível em:
http://www.senado.gov.br/legislacao/basesHist/asp/consulta.asp
. Acesso em: 03 jan. 2024. Adaptado.
“Que seja decretada uma lei em que todo
cidadão da classe alta divida parte da terra que
tem com os pobres, é o que acontece na minha
cidade e em todo o Brasil, gente rica com terra
boa e de sobra, e gente humilde que convive
com esgotos e que não pode aproveitar o chão
que tem, pois este está contaminado.”
Carta de Jan Clésio Sousa Pires à Assembleia Nacional
Constituinte. Sugestões da população para a Assembleia
Nacional Constituinte de 1988. ORIGEM: L208 DATA: 03/03/86
FORMUL: 176 DV: 6 TIPO: 10 02/12/86. Disponível em:
http://www.senado.gov.br/legislacao/basesHist/asp/consulta.asp
Acesso em: 03 jan. 2024.
Mais de 70 mil brasileiros encaminharam cartas
aos constituintes entre 1986 e 1987. Tais cartas
continham sugestões, reivindicações e queixas
que expressavam sonhos e desilusões da
população naqueles anos da chamada Nova República. As cartas acima, respectivamente
de uma moradora de Parintins (AM) e de um
morador de Itanhém (BA), são representativas
do seguinte sentimento popular existente nos
anos da transição da ditadura para a
democracia: