[...] foi redigido quase todo em português, como você viu.
Agora está sendo traduzido para o brasileiro, um brasileiro muito
diferente desses que aparece nos livros da gente da cidade, um
brasileiro matuto, com uma quantidade enorme de expressões
inéditas, belezas que eu mesmo não suspeitava que existissem.
O velho Sebastião, Otávio, Chico e José Leite me servem de
dicionários. O resultado é que a coisa tem períodos
absolutamente incompreensíveis para a gente letrada do asfalto
e dos cafés. Sendo publicada, servirá muito para a formação, ou
antes para a fixação da língua nacional.
RAMOS, Graciliano, Cartas. Rio de Janeiro: Record, 1982, p. 134.
Dadas as afirmativas a respeito das ideias contidas no fragmento
textual,
I. O que foi redigido e a linguagem utilizada situam o escritor
como clássico, não de uma linguagem nacional, mas de uma
variante brasileira.
II. O modo de falar do matuto, incorporado pelo autor à sua
literatura, afasta-se do academicismo oficializado.
III. O autor do trecho enfatiza oscilações entre a correção do
nível culto padrão da língua portuguesa e a oralidade
regional.
IV. Fica evidente que, na referida história, o que foi escrito vai
figurar, sobretudo, na imagem do fazendeiro e no seu
registro de linguagem.
verifica-se que estão corretas