As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
são um dos maiores problemas de saúde pública da
atualidade, com alta taxa de mortalidade no Brasil
e no mundo, com destaque para as doenças cardiovasculares (DCV, incluindo a Hipertensão Arterial/ HA), as neoplasias, as doenças respiratórias
e o Diabetes Mellitus (DM). Os principais fatores
de risco comportamentais para o adoecimento por
DCNT são o tabagismo, a alimentação não saudável, a inatividade física e o consumo de álcool. A
prevalência global da obesidade aumentou substancialmente nos últimos 40 anos, representando
um importante problema de saúde pública mundial
e fator de risco para as DCNT. Neste sentido, nos
últimos anos, o padrão alimentar e o estilo de vida
saudável ganharam evidência em estudos epidemiológicos observacionais e de intervenção, como
o DASH (Dietary Approachs to Stop Hypertension),
o INTERHEART, o PREDIMED (PREvención con
DIeta MEDiterránea), dentre outros. Devido ao
crescente interesse por uma vida saudável e sustentável e a adoção da alimentação vegetariana e
vegana, a dieta Plant-Based, ou dieta baseada em
plantas, também vem ganhando destaque. Sobre
esse tema, analise as afirmativas:
I - As Diretrizes Brasileiras de Dislipidemias e
Prevenção da Aterosclerose, 2017, sugerem que
o padrão alimentar deve ser resgatado por meio
do incentivo à alimentação saudável, juntamente da orientação sobre a seleção dos alimentos,
o modo de preparo, a quantidade e as possíveis
substituições alimentares, sempre em sintonia
com a mudança do estilo de vida. As Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020, recomendam a dieta DASH e a dieta do Mediterrâneo.
O posicionamento da Associação Brasileira para
o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica/ ABESO, 2022, sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade, enfatiza que o
tratamento deve englobar mudança de estilo de
vida, prática regular de atividade física e seguimento de padrão alimentar saudável, que promova déficit calórico, a fim de induzir perda de peso.
II - A Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no
Diabetes Mellitus, 2020, recomenda que um padrão
alimentar baseado na dieta do Mediterrâneo, rico
em gordura monoinsaturada e poliinsaturada, pode
ser considerado para melhorar o metabolismo da
glicose e diminuir o risco de doenças cardiovasculares. Recente Diretriz da Sociedade Brasileira de
Diabetes, 2023, aponta que não existe uma estratégia alimentar universal para prevenir ou retardar o
início do DM2; incentivar a perda de peso estruturada em um plano alimentar saudável, com redução
de calorias, redução de gorduras saturadas e aumento da ingestão de fibras, associado à prática de
atividade física é essencial. A adoção de um padrão
de alimentação saudável deve levar em conta as
preferências individuais, permitindo, assim, a adesão ao tratamento nutricional à longo prazo.
III - A dieta Plant-Based pode ser definida de inúmeras formas, havendo discordância na literatura
quanto à presença ou não de produtos de origem
animal na alimentação. Posicionamento da ABESO,
2022, a definem como um padrão alimentar que encoraja a presença de muitas hortaliças (cruas e cozidas), frutas, cereais integrais, leguminosas e sementes oleaginosas. Recente Diretriz sugerida para
profissionais de saúde que trabalham com clientes
que consomem dieta Plant-Based, 2021, a definem
como dietas veganas e ovo-lacto-vegetarianas (dieta com consumo exclusivo de alimentos de origem
vegetal, como frutas, vegetais, grãos inteiros, leguminosas, legumes e nozes), e sinalizam que estas
estão crescendo em popularidade em todo o mundo ocidental por vários motivos, incluindo preocupações com a saúde humana e a saúde do planeta,
sendo mais ambientalmente sustentáveis, do que
as dietas à base de carne. Estudos têm demostrado que a qualidade da alimentação nesse padrão
alimentar é sempre satisfatório.
IV - A dieta do Mediterrâneo é o padrão alimentar
que mais vem sendo testado para a prevenção e tratamento das DCNT e tem sido citada em diretrizes
como o Obesity Management for the Treatment of
Type 2 Diabetes: Standards of Medical Care in Diabetes, 2021 (American Diabetes Association). Esta
dieta é definida pelo baixo teor de gordura (azeite
de oliva é a fonte principal de gordura, mas contempla também o consumo de oleaginosas como
nozes, castanhas e amêndoas; fontes preferenciais
de ácidos graxos monoinsaturados e ácidos graxos
poli-insaturados ômega-3) e é constituída principalmente por carboidratos integrais, proteínas, frutas e
vegetais, consequentemente, rica em flavonóides,
antioxidantes e fibras. Este padrão relaciona-se a
menor risco de mortalidade cardiovascular e tem
sido associado com a prevenção e tratamento de
doenças cardiometabólicas.
V - A dieta DASH é composta pelos alimentos:
legumes, verduras, frutas, grãos integrais, nozes,
laticínios com baixo teor de gordura, peixes, aves
e menores proporções de carnes vermelhas, de
gorduras saturadas, de bebidas açucaradas, de
sódio, de grãos refinados, de açúcares e produtos ultraprocessados. Assim, a dieta DASH tem
como característica possuir baixa quantidade de
gorduras saturadas e trans, ser rica em antioxidantes, micronutrientes e fibras. Esses nutrientes
atuam diminuindo as citocinas pró-inflamatórias e
espécies reativas de oxigênio e favorecem a função endotelial. A dieta DASH, tem sido associada
à redução da pressão arterial (PA), controle do
perfil lipídico, da inflamação, do peso corporal, da
função endotelial, da homeostase glicose-insulina,
do microbioma intestinal, do risco DCV e consequentemente impacta em menor mortalidade total.
Marque a opção que corresponde à sequência
correta, considerando V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.