As dietas com ingredientes naturais mais comumente
fornecidas a primatas não humanos são compostas principalmente de grãos e subprodutos do processamento de
alimentos humanos. Dietas fabricadas a partir de ingredientes naturais, geralmente não apresentam riscos à saúde
do animal, mas podem afetar os resultados experimentais,
principalmente quando se trata de colônias destinadas à
pesquisa biomédica. As concentrações de nutrientes nos
alimentos fornecidos nas dietas comerciais de primatas sob cuidados humanos podem estar relacionadas a diversos
fatores, tais como: fabricante, espécie animal, ingredientes
utilizados, dentre outros. Com base nos aspectos nutricionais é correto afirmar que:
A as dietas purificadas são formuladas com ingredientes
altamente refinados, de modo que cada componente da
dieta forneça um único nutriente ou classe de nutrientes à dieta, como, por exemplo, carboidratos e ácidos
graxos específicos, aminoácidos cristalinos, fibras isoladas, vitaminas e minerais; essas dietas normalmente
são muito palatáveis para primatas não humanos, mas
caras e afetadas pela variação de produto entre lotes; a
composição de dietas purificadas não permite a adição
de nutrientes específicos, por isso são inviáveis para
fins de pesquisa.
B as gorduras dietéticas mais comuns são os triacilgliceróis de origem vegetal; a maioria das dietas comerciais para primatas não humanos fornece níveis elevados
de gordura bruta (20–25%); isso se justifica, pois, além
de fornecer energia, as gorduras dietéticas fornecem
ácidos graxos essenciais, que regulam diversas funções
metabólicas, tais como: o crescimento normal, o desenvolvimento de órgãos e a função reprodutiva; previnem
dermatopatias; mantêm as proporções normais de ácidos graxos poliinsaturados, necessários para a síntese
de lipídios teciduais, membranas celulares e integridade
dos glóbulos vermelhos; e, finalmente, proporcionam a
absorção e utilização normais de colesterol e vitaminas
lipossolúveis.
C a vitamina D é fundamental no processo nutricional de
primatas, por desempenhar diversas funções metabólicas, como, por exemplo, no intestino, a vitamina D
aumenta a absorção de cálcio; no tecido ósseo, o PTH
e a 1,25(OH)2D aumentam a atividade osteoclástica e
osteoblástica, mobilizando os estoques de cálcio em
resposta à hipercalcemia.
D as necessidades de proteína na dieta são grandemente
influenciadas pela digestibilidade e pela qualidade da
proteína, ou seja, quantidades e proporções de aminoácidos essenciais que não podem ser sintetizados
no organismo animal e devem ser fornecidos pela dieta;
assim, o valor biológico de uma proteína é uma medida
da presença de aminoácidos essenciais em proporção
às necessidades.
E o ácido ascórbico é um cofator em muitas reações
enzimáticas, incluindo aquelas envolvidas na hidroxilação da prolina ou lisina na formação do colágeno; a
maioria das espécies de primatas criadas sob cuidados
humanos são capazes de sintetizar o ácido ascórbico,
por isso não necessitam receber vitamina C na dieta;
entretanto, falhas nessa síntese causam a deficiência,
resultando no escorbuto; em animais jovens, os sinais
clínicos estão relacionados com falhas na formação da
matriz orgânica do osso em desenvolvimento.