É bem verdade que um número considerável de brasileiros
utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários
da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno
e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas
originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos
de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil
dessas pessoas disseram não usar o português em família); há
falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui
especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o
talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o
pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o
japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que
chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios,
haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é
hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos,
concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano,
por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o
pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.
Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).