Sobre o poema “Remissão”, transcrito abaixo, publicado no livro
Fazendeiro do ar, do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade,
Remissão
Tua memória, pasto de poesia,
tua poesia, pasto dos vulgares,
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida e seus pesares.
Mas pesares de quê? perguntaria,
se esse travo de angústia nos cantares,
se o que dorme na base da elegia
vai correndo e secando pelos ares,
e nada resta, mesmo, do que escreves
e te forçou ao exílio das palavras,
senão contentamento de escrever,
enquanto o tempo, em suas formas breves
ou longas, que sutil interpretavas,
se evapora no fundo de teu ser?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
2002.
é correto dizer: