A Constituição Federal de 1988 respondeu aos anseios populares por meio da redemocratização, inserindo dispositivos e mecanismos para a efetivação dos direitos. Com isso,
fez sobressair duas questões interligadas como faces da
mesma moeda: a demanda por direitos e a capacidade institucional para supri-los. Diante desse dilema, surge o fenômeno da judicialização dos direitos de seguridade social. A
respeito da judicialização da política de seguridade social,
analise as afirmativas a seguir.
I. Compreende a intromissão do Poder Judiciário nos processos de deliberação política, implicando em mudanças
na dinâmica da relação entre os Poderes. O Poder Legislativo, que tradicionalmente ocupara lugar central, é cobrado de ter que se enquadrar às exigências legais, podendo, por isso, ter suas decisões submetidas à apreciação do Poder Judiciário.
II. Tal processo não se resume a uma questão política da relação entre os poderes, mas incide sobre a relação entre o
Estado e a sociedade. Significa a ampliação do aparato de
controle sobre os cidadãos, sobretudo, sobre a classe trabalhadora, que vai sendo orientada ao interior do Poder
Judiciário em busca da resolução de conflitos relacionados
ao acesso às políticas públicas e sociais.
III. Tendo o Estado o dever constitucional de responder pela
proteção social dos cidadãos brasileiros, ao abdicar dessa
função, tende a provocar o aumento da demanda por direitos sociais no Poder Judiciário. A consequência disso é tornar a judicialização o único meio institucional para o acesso
ao direito.
IV. Diversas críticas são dirigidas ao Poder Judiciário por parte
de gestores públicos e intelectuais que denunciavam sua
interferência nos gastos públicos, mesmo sem que a maioria dos pobres tivesse recorrido à Justiça para defender
seus direitos.
Está correto o que se afirma apenas em