Publicado pelo periódico Psychological Science , um estudo da Universidade de Chicago sugere
que o processo de raciocinar em outro idioma ajuda a diminuir inconsistências cognitivas e melhora o
processo de tomada de decisão: ao usar seu idioma estrangeiro, as decisões passam a ser mais
sistemáticas e menos baseadas em fatores negativos, processo mental que seria comum ao usar a
Língua Materna (LM). A decisão de iniciar o ensino da Língua Inglesa (LI) no Brasil, entretanto, não
ocorreu por nenhum dos motivos citados.
Sobre o histórico e a importância da Língua Inglesa (LI) no Brasil, é falso afirmar:
A Em 1931, a Reforma Francisco Campos modificou o ensino de Línguas Estrangeiras (LE) no
Brasil: diminuiu a carga horária de línguas mortas como o Latim, e priorizou o ensino das
línguas modernas (Francês, Inglês e Alemão); introduziu mudanças não apenas quanto ao
conteúdo, mas, principalmente, quanto à metodologia de ensino. Pela primeira vez introduzia-se oficialmente no Brasil o que tinha sido feito na França em 1901: instruções metodológicas
para o uso do Método Direto, ou seja, o ensino da língua por meio da própria língua.
B A LDB de 1961 agia sob a égide de um falso nacionalismo que alegava que a escola não
deveria se prestar a ser a porta de entrada de mecanismo de impregnação cultural estrangeira e,
através dessa influência, contribuir para o aumento da dominação ideológica de sociedades
estranhas à brasileira, consagrando com isso um colonialismo cultural a serviço de interesses
estrangeiros. A BNCC (2017), cita que é necessário evitar teorias totalizantes de reprodução
social e cultural (por exemplo, visões de uma sociedade consumista global veiculadas por uma
língua hegemônica como a LI), para se chegar a um paradigma crítico que reconheça o papel
do ser humano na transformação da vida social.
C O ensino de LI, como disciplina obrigatória no currículo escolar do Brasil, teve início em
1809, com Dom João VI decretando a implantação de Inglês e Francês. O objetivo era capacitar
os estudantes a se comunicarem oralmente e por escrito visando às relações comerciais que
Portugal mantinha com Inglaterra e França. Utilizava-se o Método Clássico (ou Gramática-Tradução).
D Depois da pouca consideração tida com o ensino de Línguas Estrangeiras na LDB de 1961,
essas começaram a desaparecer do currículo escolar em relação às outras disciplinas. Diante
desse fato, era desconsiderada a hipótese de reprovação em Inglês. Alguns estados brasileiros
chegaram a transformar a disciplina em "atividade escolar", apenas para aproveitar os
profissionais que existiam na área.
E Na década de 60 foi criada a primeira LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(Lei 4024/61, publicada em 20 de dezembro de 1961 pelo presidente João Goulart), que
assegurava e regularizava o sistema de ensino de acordo com os princípios citados na
Constituição. Naquele momento, segundo autores, a época de ouro do ensino de Língua
Estrangeira (LE) chegava ao fim: até então, os alunos estudavam quatro LE e saíam do 2º grau
- o então Ensino Médio (EM) -, lendo e apreciando textos na sua forma original. A Língua
Inglesa (LI) era estudada desde o ginasial até a conclusão do ensino básico. A LDB de 1971
desprestigia essas disciplinas, e elas passaram a ser consideradas apenas como "títulos de
acréscimo".