A educação morreu?
Leila estava numa fila para a seção de frios em um
supermercado. Quando chegou a vez de ela ser atendida e começava a fazer o pedido, um homem de trinta
e poucos anos entrou na frente dela e pediu trezentos
gramas de queijo. A atendente tentou explicar ao homem que existia uma fila, mas ele a interrompeu, dizendo que já havia feito o pedido e ela que fatiasse e
embrulhasse logo o queijo. A moça obedeceu.
Chocada, e apontando para o homem, Leila virou
para uma senhora que estava atrás dela e perguntou:
– Viu só que educação?
Antes que a senhora respondesse, o homem olhou
para Leila com o ar mais cínico que se possa imaginar
e disse com toda a tranquilidade:
– O mundo é dos espertos. Fique esperta que isso
não acontece mais.
Leila respondeu que preferia ser educada a ser esperta. E, ao acabar de responder, já sabia que estava
perdendo seu tempo.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve.
São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)