Tive, há alguns anos, a oportunidade de trabalhar
num projeto de formação na Guiné-Bissau. Um dos
principais problemas de alguns dos negócios a que a
formação se destinava, era a falta de recipientes de
vidro para embalar os produtos produzidos
localmente. Num dos casos era o sumo de caju, mas
o acesso a embalagens de vidro era uma constante
em mais negócios. O problema foi de fácil resolução:
numa das principais discotecas de Bissau, vendia-se
bastante cerveja embalada em vidro e de tara
perdida. Foi, por isso, fácil arranjar quem se
ocupasse da recolha das garrafas abandonadas na
rua, as transportasse para Canchungo, onde uma
cooperativa, vocacionada para dar apoio à
comunidade local e visando estimular a capacidade
de produção e gestão dos seus próprios
empreendimentos, fervia as ditas garrafas para
posterior tratamento e reutilização, num processo
artesanal, mas eficaz, e num claro exemplo de
inovação frugal.